sábado, 4 de fevereiro de 2012

A Alegria de Não Esquecer

Guardo em mim cada palavra da famosa publicação na rede social da qual muito se falou.Guardo também para mim todos os comentários proferidos por alguns,aqueles que a leram,e daqueles que ouviram falar dela...Comentários esses nunca dirigidos à minha,na altura,triste personagem,mas sempre em diálogos perfeitamente "boáticos" (nem sei se existe esta palavra,numa alusão aos famosos boatos que tanto a sociedade adora).Pois bem, eu até entendo,a sociedade tem muito tempo livre,ou tem muita necessidade de ocultar as próprios sentidos com as "coisas" dos outros.Por mim,tudo bem, até certo ponto...Viver em sociedade,em comunidade,tem destas contradições,a parte boa,conviver,rir, beber copos no café,etc...e a parte estranha e estúpida,as conversas nas costas,os boatos,o gozo de apontar defeitos e atitudes...Admito,em tempos tive vergonha de alguns actos,porque simplesmente não gosto de andar na boca do povo,e porque a instabilidade emocional era isso mesmo,inconstante, e ainda, e principalmente,porque envolvia não só a minha pessoa mas também outra...Mas o arrependimento é coisa que a mim não me assiste, e se tivesse que passar por tudo de novo,sem dúvida que o faria com a mesma frontalidade e a mesma sensação honesta,com lágrimas, com alcool, com cigarros,com dôr,com paixão...porque vivemos todos debaixo do mesmo Sol,da mesma Lua,e quem (felizmente)nunca passou por este tipo de situações,deve respeitar e tentar entender...Pior são aqueles cujas vidas já deram tantas voltas,assim como a minha, e já se esqueceram como foi...Enfim,vidas às quais não me quero colar,porque se houve coisa positiva neste processo todo,é que se faz a selecção natural das personalidades.Não guardo rancôr,mágoa ou qualquer tipo de negativismo,porque eu já conhecia tudo,não foi qualquer surpresa...A única verdadeira vergonha foi ter precisado de apoio,e dar de frontal com este de realidade...Mas agora agradeço profundamente ao passado,ensinou-me mais uma vez uma grande lição,aquela lição dura mas realista,que não há ninguém como eu,que só posso,só devo contar comigo e com a minha força,aquela mesma força que me valeu durante toda a vida,a força que quase me faltou,mas que nunca desistiu de me apoiar.Levanto aos poucos a cabeça,enfrento de novo a vida,porque a dada altura eu não vivi,apenas sobrevivi!Vejo agora claramente com quem contar,vejo perfeitamente quem vive à espera do deslize,vejo as amizades que tomaram partido em situação dividida (coisa que nunca por nunca fiz,tomar partido de alguém em deterimento de outro),vejo também,que afinal,não fui só eu,não sou só eu quem está menos bem...Descubri com isto tudo, que não se ultrapassa uma situação destas esquecendo,assim só por esquecer, as memórias fazem, têm de fazer parte da nossa existência!Partilho com quem quiser o que de bom tenho para dar,partilho e convivo alegremente com todos de bem, porque precisamos de viver,a vida é demasiado curta para futilidades...


Ivo Nunes 04.02.2012

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